CRISE DA DÍVIDA EXTERNA E HIPERINFLAÇÃO NO BRASIL (1980-1989)
políticas econômicas, limitações e desdobramentos
Resumo
A década de 1980 constituiu um dos períodos mais críticos da história econômica brasileira, marcado pela convergência entre a crise da dívida externa, a deterioração fiscal e um processo inflacionário que evoluiu para a hiperinflação. Este artigo examina os fatores internos e externos que moldaram essa conjuntura, destacando a transição do endividamento como estratégia de desenvolvimento para um mecanismo de fragilização estrutural do Estado. A análise evidencia a incapacidade das políticas econômicas implementadas, especialmente os Planos Cruzado, Bresser e Verão, de conter a inflação inercial e estabilizar os preços, devido tanto a limitações de desenho quanto à falta de coerência fiscal e institucional. Os dados discutidos revelam a intensificação do conflito distributivo, a desorganização dos preços relativos e a perda de credibilidade da política econômica, elementos que consolidaram a chamada “década perdida”. Conclui-se que a crise resultou da interação entre dependência externa, desequilíbrios macroeconômicos e fragilidade política, cujos efeitos estruturais moldaram as transformações econômicas posteriores.