INCÓGNITA DO MEU SER

análise do filme “Meu pai”, sob a ótica da psicanálise, com ênfase nas relações familiares de pessoas com demência, em especial com os filhos.

Autores

  • Margarete Gonçalves Dias Faculdade de Patos de Minas - FPM
  • Marcelo Matta de Castro Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Resumo

O envelhecimento traz consigo limitações ao corpo, dentre as quais pode-se citar as demências que ocasionam diversas mudanças e novas necessidades na vida do sujeito. O objetivo do presente estudo foi realizar uma análise do filme “Meu pai”, sob a ótica da psicanálise, com ênfase nas relações familiares de pessoas com demência, em especial com os filhos. Após tal análise, fica evidente que o filme demonstra de forma clara a evolução de um homem diagnosticado com demência e as relações com sua filha, cuidadora principal.  Nesse entrelace, há conflitos de sentimentos e ações como amor, ódio, carinho, desejo de não estar ali, vivenciando a situação. Surgem na filha sentimento de culpa no cuidado com o pai, mas ao mesmo tempo, a demanda de cuidados faz surgir ódio e querer pôr fim à situação. Desde o nascimento, o ser humano é incluído no seio familiar e social, tendo uma vida produtiva e elaboração de desejos que, por vezes, determinam o caminhar do ser humano, que constitui família e passa grande parte da vida inserido no trabalho, no cuidar. Ocorre o momento da maturidade e da senilidade, sendo o corpo demandado, mas as funções podem estar comprometidas, podendo advir doenças que comprometem a vida do ser humano. Nesse caso, depara-se com a angústia de existir, mas não mais como antes. Ocorre a necessidade de se reinventar e aceitar o que já não cabe mais recurso, aprendendo a trilhar, da forma como é possível, tanto para o ser senil como para seus familiares. Na psicanálise, o silêncio tem muitos sentidos, nem sempre é paz; às vezes o silêncio é fuga; noutras, é recalque; noutras vezes é sabedoria. O silêncio pode servir para esconder, evitar ou elaborar. Fica evidente que as relações familiares das pessoas com demência, em especial com os filhos são de suma importância nessa fase da vida dos acometidos. Na psicanálise, a escuta se apresenta como a forma eficaz do sujeito se manifestar perante o mundo, dando significado à sua existência. Não necessariamente que essa escuta advenha da fala do sujeito, podendo-se ter o corpo com seus gestos, movimentos, expressando seus desejos e pensamentos. A psicanálise surge e se desenvolve na escuta e a partir da escuta singular, à qual se propõe. Freud, introduzindo o conceito de inconsciente, desloca a fala até um outro lugar, muito além da intenção consciente de comunicação. O sujeito comunica muito além do que aquilo a que inicialmente se propôs.

Biografia do Autor

  • Margarete Gonçalves Dias, Faculdade de Patos de Minas - FPM

    Graduação em Psicologia pela Faculdade Patos de Minas (FPM).

  • Marcelo Matta de Castro, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Docente e orientador do Departamento de Graduação em Psicologia da FPM. 

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Publicado

13-07-2026